A sociedade está acostumada a não participar de seus sistemas escolares, vimos isso quando há um processo eletivo dentro de uma escola e constatamos que são poucos os pais que elegem uma equipe diretiva nova, ou até um novo conselho escolar. A meu ver isso ocorre pelo fato de as pessoas não terem uma formação que valorize a educação, e sim uma formação que prepare para o mercado de trabalho. Isso acarreta conseqüências gravíssimas no âmbito da relação social com o trabalho e também com o aprendizado por si só.
Para a construção da história brasileira, desde o inicio, a educação foi utilizada como um meio de conseguir uma melhor retribuição do ponto de vista econômico. Vimos então uma educação voltada para a técnica onde o que era valorizado seria o produto disso, e não a forma de construir um aprendizado. Vivemos por séculos uma discriminação total do que realmente poderíamos aprender: os escravos não tinham acesso à educação, pequenos fazendeiros mal sabiam escrever seus nomes, filhos de latifundiários iam estudar em Coimbra. Ou seja, havia desde o inicio uma discriminação educacional onde o menos afortunado não tinha direito algum de freqüentar uma instituição de ensino.
É visto atualmente o resultado negativo dessa nossa experiência discriminadora quando falamos de eleições: poucos sabem em quem votou nas eleições passadas, isso porque as pessoas não foram educadas a pensar em um futuro, muito menos como se tornar uma sociedade. O que preocupa realmente é o fato de termos uma sociedade ainda muito voltada para as áreas técnicas onde a valorização do conhecimento consiste em arranjar um emprego que se ganhe melhor. Ai fica no ar a seguinte questão: Queremos este papel tecnicista da educação?
Analisando melhor algumas escolas de nível fundamental pude constatar que parte delas não estão preocupadas com qual modelo de educação seguir (se querem algo mais voltado para o mercado de trabalho, ou para uma melhor aprendizagem coletiva visando o conhecimento), estão preocupadas somente em cumprir o “papel da escola” (creio eu fingir que estão ensinando, que por sua vez, possui alunos que fingem estar aprendendo). Isso é gravíssimo, porque teremos uma sociedade conformada com qualquer coisa, pois não há desenvolvimento de uma consciência crítica, muito menos de uma sociedade presente nas discussões políticas e sociais, onde o parâmetro seria algo que lhes é apresentado como correto - não passando por discussões - mesmo não o sendo.
Percebendo isso tudo, pude entender que o aspecto tecnicista se encontra no modelo de que cada um faz a sua parte, onde a escola faz o seu papel, o professor faz o seu outro papel, e assim vai até chegar à formação social do indivíduo, como também no ensino profissionalizante de cunho técnico onde muitas vezes não há a discussão sobre o que é realmente fazer parte integrante da educação e da sociedade. Deve ser pensado, portanto, que esses alunos irão viver após o período do curso que estão fazendo e que por isso é necessário fazer com que eles entendam que a vida em sociedade depende muito mais da relação social, do que somente um ensino tecnicista
Logo se vê que esse “papel da escola” não produz nem técnicos muito menos questionadores e sim, muita gente alienada que forma uma sociedade igualmente alienada, que não discute o que é melhor para si. Concluo essa breve reflexão afirmando que a sociedade ainda não tem um papel definido na vida escolar, por conta de sua formação não crítica e também pelas desigualdades educacionais que continuam até hoje.