segunda-feira, 18 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Por que quero me tornar professora...


Estamos em uma era em que a situação docente brasileira é crítica por não ser muito valorizada por instâncias governamentais. Esse seria um dos motivos que me levaria a não escolher a docência, pois estaria perdendo dinheiro ao passo que poderia estar trabalhando com algo lucrativo (talvez administração, contábeis, etc.). Quem acaba trabalhando como professor, esperando ganhar dinheiro, se engana, pois o que ganharemos como futuros professores serão preocupações, idéias frustradas, equipe diretiva que não te aprova, trabalhos não levados a serio, “enturmação” (onde são postos 50 alunos em uma sala de aula), onde a melhor parte ocorre quando ensinamos algo de útil a essas crianças no meio deste monte de contras educacionais.

Quando entrei na UFRGS, escolhi o curso de bacharelado em Filosofia, pois não tinha em mente ser professora (me imaginava uma pessoa enlouquecida com um monte de alunos em sala de aula). Fui pensando melhor nesta profissão, pois me lembrava dos professores ruins e dos bons (dois excepcionais, ótimos professores), fazendo assim várias observações de como a educação poderia melhorar e tentando entender o porquê dos professores ruins não conseguirem ser bons (até hoje a única explicação viável que encontrei é a de que esses professores, não querem ser professores, mas dão aula por não se sentirem capazes de trabalhar com a área que lhes interessam).

Quando o mês de janeiro chegou, fiz vestibular novamente e passei no curso de Licenciatura em Filosofia com o intuito de me formar professora. Neste momento senti a necessidade de pensar como eu queria ser professora (odeio a idéia de me tornar uma professora ruim). Cheguei à conclusão que para o meu intento se tornar verdadeiro, teria que ir muito além dos contras, pois se me baseasse neles arranjaria desculpas esfarrapadas que não resolveriam o problema dos alunos em suas aprendizagens escolares. Percebi que precisaria ir muito além da filosofia para que os meus alunos aprendessem realmente algo que faria algum sentido para a vida deles, onde a multidisciplinaridade deveria vigorar.


O que me motivou a escolher filosofia bacharelado é a possibilidade de trabalhar filosofia política, entendendo quais são os mecanismos da sociedade frente as suas organizações e a hierarquização feita para uma melhor administração. Hoje penso como posso trabalhar essas questões em sala de aula com os meus futuros alunos me dispondo à não trabalhar de qualquer modo como muitos professores fazem, pois quero fazer um trabalho onde as crianças e adolescentes se sintam parte integrante da comunidade onde vivem.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

QUAL É O PAPEL DA SOCIEDADE NO SISTEMA ESCOLAR?

A sociedade está acostumada a não participar de seus sistemas escolares, vimos isso quando há um processo eletivo dentro de uma escola e constatamos que são poucos os pais que elegem uma equipe diretiva nova, ou até um novo conselho escolar. A meu ver isso ocorre pelo fato de as pessoas não terem uma formação que valorize a educação, e sim uma formação que prepare para o mercado de trabalho. Isso acarreta conseqüências gravíssimas no âmbito da relação social com o trabalho e também com o aprendizado por si só.

Para a construção da história brasileira, desde o inicio, a educação foi utilizada como um meio de conseguir uma melhor retribuição do ponto de vista econômico. Vimos então uma educação voltada para a técnica onde o que era valorizado seria o produto disso, e não a forma de construir um aprendizado. Vivemos por séculos uma discriminação total do que realmente poderíamos aprender: os escravos não tinham acesso à educação, pequenos fazendeiros mal sabiam escrever seus nomes, filhos de latifundiários iam estudar em Coimbra. Ou seja, havia desde o inicio uma discriminação educacional onde o menos afortunado não tinha direito algum de freqüentar uma instituição de ensino.

É visto atualmente o resultado negativo dessa nossa experiência discriminadora quando falamos de eleições: poucos sabem em quem votou nas eleições passadas, isso porque as pessoas não foram educadas a pensar em um futuro, muito menos como se tornar uma sociedade. O que preocupa realmente é o fato de termos uma sociedade ainda muito voltada para as áreas técnicas onde a valorização do conhecimento consiste em arranjar um emprego que se ganhe melhor. Ai fica no ar a seguinte questão: Queremos este papel tecnicista da educação?

Analisando melhor algumas escolas de nível fundamental pude constatar que parte delas não estão preocupadas com qual modelo de educação seguir (se querem algo mais voltado para o mercado de trabalho, ou para uma melhor aprendizagem coletiva visando o conhecimento), estão preocupadas somente em cumprir o “papel da escola” (creio eu fingir que estão ensinando, que por sua vez, possui alunos que fingem estar aprendendo). Isso é gravíssimo, porque teremos uma sociedade conformada com qualquer coisa, pois não há desenvolvimento de uma consciência crítica, muito menos de uma sociedade presente nas discussões políticas e sociais, onde o parâmetro seria algo que lhes é apresentado como correto - não passando por discussões - mesmo não o sendo.

Percebendo isso tudo, pude entender que o aspecto tecnicista se encontra no modelo de que cada um faz a sua parte, onde a escola faz o seu papel, o professor faz o seu outro papel, e assim vai até chegar à formação social do indivíduo, como também no ensino profissionalizante de cunho técnico onde muitas vezes não há a discussão sobre o que é realmente fazer parte integrante da educação e da sociedade. Deve ser pensado, portanto, que esses alunos irão viver após o período do curso que estão fazendo e que por isso é necessário fazer com que eles entendam que a vida em sociedade depende muito mais da relação social, do que somente um ensino tecnicista

Logo se vê que esse “papel da escola” não produz nem técnicos muito menos questionadores e sim, muita gente alienada que forma uma sociedade igualmente alienada, que não discute o que é melhor para si. Concluo essa breve reflexão afirmando que a sociedade ainda não tem um papel definido na vida escolar, por conta de sua formação não crítica e também pelas desigualdades educacionais que continuam até hoje.

INTRODUÇÃO

Analisando os contextos sociais e culturais de nossa época, notamos que a educação vem se alterando de maneira contínua, onde muitos pontos não são discutidos, portanto podendo acarretar modificações que podem não ser ideais. Digo isso, pois noto que as pessoas no geral não querem pensar uma educação conjunta por terem medo de se responsabilizarem por um quadro educacional complexo, onde querendo ou não elas estão inseridas. O intuito deste blog é questionar o que é realmente a EDUCAÇÃO, como a utilizaremos, como se dará a relação entre sociedade e ambiente escolar, que é o principal, pois acredito que se não há uma correspondência e troca de experiência entre as pessoas, nada de novo acontecerá.