quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE ENSINO DE FILOSOFIA NO ENSINO BÁSICO

Este post terá como finalidade explicitar a minha opinião sobre projeto didático pedagógico em filosofia. São notas de aula e experiências vividas (mesmo que curtas), que propiciaram tal reflexão. Portanto, digo de antemão que  há ideias que vão ser desenvolvidas com o tempo na atividade de docente que irei desempenhar nos estágios, e posteriormente em sala de aula. Provavelmente haverão coisas que as pessoas podem não concordar e que podem (talvez devam) ser mudadas com a prática em sala de aula. Divirtam-se com os meus exageros pedagógicos ....


Pensar o que irá ser trabalhado.

Parece trivial, mas isso é a primeira coisa a ser feita. Parece que muitos professores se esquecem disso ao organizarem as suas aulas quando que não propõem um tema central a ser discutido. Por exemplo: o professor Antão resolveu dar aula sobre os problemas da sociedade, na aula seguinte ele resolve trabalhar com a política aristotélica. É óbvio que esses temas são muito interessantes, mas qual é o foco a ser trabalhado? Essa questão é importante porque o aluno ao entrar em uma sala de aula vai se perguntar justamente o porquê que ele está estudando aquilo, e se isso tem algum fundamento, e como pode justifica-lo.
Ao pensar no que pode ser trabalhado com os alunos devemos levar em consideração alguns aspectos importantes, a saber:

a)      Comportamento, Como se dá a interação entre eles: podemos pensar que o aluno ao entrar em sala de aula e interagir com o resto da turma, busca em primeiro lugar, encontrar o seu espaço dentro de um grande grupo buscando criar sua identidade e sua personificação. Ele pode ser caracterizado como o aluno que não quer nada com nada, ou o CDF, ou ainda como o irritante que quer boicotar a aula do professor. Mesmo com cada personalidade definida, devemos pensar antes de tudo o como a turma lida com essas personalidades tão distintas. Se há uma aceitação, e como ela se dá. E no caso dos alunos com o professor como se dá a intervenção deste educador: de modo abrupto (xingamentos) ou tranquilo (um simples “chamar a atenção” da turma). Ao analisar esses detalhes podemos traçar (aproximadamente NUNCA PRECISAMENTE) um perfil da turma, e daí de acordo com esse perfil, montar atividades que sejam relativamente agradáveis para o grupo, e que o professor consiga dirigir de maneira agradável a tarefa que se propõe a fazer com seus alunos.

b)      Como eles veem a disciplina de filosofia: uma coisa muito importante nos dias de hoje, é como a filosofia é vista pelos alunos. Uma parte muito significativa dos estudantes do ensino médio não gosta da matéria de filosofia por não verem grandes progressos intelectuais no que estão fazendo, como eles percebem em português, matemática, física, etc., por conta das notas atribuídas, pela facilidade de encontrar o problema nas resoluções de seus exercícios e também pelo descrédito que a filosofia sofreu por causa da ditadura militar. Vemos algum esforço do Governo Federal de tentar colocar a filosofia como sendo uma matéria como qualquer outra ultimamente, porém esse é o primeiro passos de muitos. Por esse motivo acho mais interessante trabalhar um tema introdutório, discutindo o que pra eles é filosofia (muitos vão ter a cara dura de te falar que isso é uma viagem completa que não tem cabimento XD), e logo em seguida trabalhar algum texto sobre o assunto.




Pensar como o assunto pode ser trabalhado de modo pontual, didático e autônomo não esquecendo o embasamento teórico.

Quando pensamos em um embasamento teórico, temos por finalidade uma ideia precisa do que trabalhar segundo mediante texto. Isso é bom, e é preciso. O que acontece muitas vezes nas aulas de filosofia é que o professor acorda inspirado com um tema latente na cabeça, e resolve trabalha-lo como sendo a coisa mais inovadora na face da terra, esquecendo o bendito embasamento teórico. O embasamento teórico, ao qual me refiro, é um texto de um autor, seja ele filósofo, comentador, ou autor de contos, fábulas, romance ou qualquer outro gênero literário. Esse é o texto que deveria nortear toda a discussão, por ser ele o estopim da discussão.  

O que acontece muitas vezes, é que o tema a ser desenvolvido é um tema muito bom, super legal de se trabalhar com uma turma de adolescentes ou crianças. E por esse motivo, por ser um tema muito bom e por ser maleável, o educador acaba ficando somente na organização de opinião. Ele pode promover o debate entre seus alunos, mas dificilmente estes alunos vão conseguir sair do debate e expressar um argumento a favor ou contra algum posicionamento qualquer (sendo essa a meta do educador na área da filosofia), pois falta tal embasamento teórico.

Por isso, acho muito importante deixar claro alguns aspectos:
i)  Devemos trabalhar analise e redação de textos filosóficos com os nossos alunos, pois isso faz parte da formação deles como indivíduos. Devemos nos lembrar que a língua portuguesa é sempre muito privilegiada nas instituições de ensino, por ser este o modo de se conseguir uma boa comunicação entre as pessoas. Com o texto filosófico, não é diferente! Ao trabalharmos analise de argumentos com os nossos alunos, estamos estimulando a organização do pensamento e a composição de novas ideias precisas.


ii)    Não estou dizendo que não há como trabalhar com os alunos algo diferente como uma dinâmica, ou uma atividade em grupo, muito antes pelo contrário, devemos estimular os adolescentes a desempenharem tais atividades.  Porém existem condições para que consigamos trabalhar com essas atividades que serão apresentadas posteriormente.

Reunir materiais que falam sobre a problemática proposta;

O embasamento teórico nós já temos. Agora faltam os textos e os materiais subjacentes a serem usados em sala-de-aula. Estes textos podem ser anúncios de jornais, músicas, propagandas. Os materiais, podem ser jogos ou vídeos. Devo concordar que os jogos são um pouco complicados de serem achados, por esse motivo acho válido o professor aprender a organizar um material didático que sirva como um meio de se descobrir novas coisas, ao mesmo tempo em que é proporcionada alguma diversão aos estudantes. Claro, devemos ter bem claro que a aula de filosofia não é um espaço de divertimento apenas, mas sim de uma organização que viabiliza a obtenção do conhecimento de uma maneira simples, direta e que pode ser descontraída ( por que não?). o problema é como fazemos isso !

Ao pensar um grupo de atividades que envolvem a reflexão filosófica, como jogos, análise de textos, o uso de filmes ou seus trechos, estamos, em ultima analise, tentando desenvolver o potencial cognitivo de nossos alunos de modo que eles saibam como agir sozinhos ou em conjunto diante de um problema. A questão apontada ao término do parágrafo anterior versa sobre a possibilidade de conseguir desenvolver tais atividades tendo isso como objetivo. Não há uma receita pronta para a organização do espaço de conhecimento, pois o temperamento da turma é definido mediante as condições ao qual está submetida. Portanto é preciso por parte do educador uma boa capacidade de observação da turma no momento em que ele dá aula e anotar quais as reações que os alunos acabam tendo quando apresentada alguma proposta de trabalho. Assim podemos ter parcialmente uma visão do como eles gostam da aula e delimitar algumas restrições no comportamento do grande grupo. Pois como diria Tomaz Tadeu “o currículo é uma questão de saber , identidade e poder”.

Desejo continuar com uma breve reflexão do excerto de Tomaz Tadeu adaptada ao ensino de filosofia. Devemos levar em consideração que o currículo pode ser um percurso na vida de um aluno que vai significar algo pra ele. A variação de como ele adquire  o conhecimento e como ele o absorve, vai depender, antes de tudo, de como ele se habilita a descobrir novas coisas, novas ideias. E por isso acho de extrema importância a imposição e a cobrança de uma organização rigida dos trabalhos efetuados, pois essas nossas ações pedagógicas modelam o individuo, cuja confirmação teremos quando este individuo chega à idade adulta. Por esse motivo acho importante frisar que as partes envolvidas no processo educativo de um indivíduo são o aluno, seus pais, a escola como um todo e seus professores, pois eles fazem parte da convivência e acabam formando (ou deformando, com suas atitudes nem um pouco louváveis quando é o caso) o caráter do individuo. Assim posso concordar com Tomaz Tadeu :

       “Se quisermos recorrer a etimologia da palavra currículo, que vem da palavra latina curriculum, ‘pista de corrida’, podemos dizer que no curso desta corrida, acabamos por nos tornar o que somos. Nas discussões cotidianas, quando pensamos em currículo, pensamos apenas em conhecimento, esquecendo-nos de que o conhecimento que constitui o currículo está inextricavelmente, centralmente, vitalmente envolvido naquilo que somos, naquilo que nos tornamos: na nossa identidade na nossa subjetividade.” (TADEU, pag.15)


Desenvolver debates entre os alunos nos grupos tendo por objetivo os seguintes aspectos:
Ø  Desenvolver um raciocínio critico;
Ø  Organizar o argumento filosófico proposto com os grupos e a turma;
Ø  Promover uma discussão produtiva entre os alunos.
Parece trivial novamente, mas não é. Muitos assuntos se perdem na má organização de um debate. É preciso algumas questões –foco para que possa ser feita uma boa reflexão filosófica acerca do assunto.  Assim, podemos traçar uma linha (mesmo que seja tênue) que delimita o assunto. Podemos e devemos fazer com que nossos alunos tenham a capacidade de refletir sobre as suas ideias e qualificações acerca do assunto, porém tudo deve possuir uma organização para que a experiência não seja desagradável por conta de brigas e discussões desnecessárias. Portanto o papel do professor neste caso é o de mediador garantindo a criticidade proveniente dos alunos, a organização do pensamento filosófico e a discussão sadia na turma.
Leitura dos textos em aula, em conjunto;
Essa é uma atividade que exige muito do professor e dos alunos. Eu aconselho a não trabalhar textos muito extensos quando a ideia é ler um texto em conjunto, por causa disso:
1.      O aluno pode se sentir mau ao ler, e depois passar para outro que também pode se sentir mau ao desempenhar tal atividade;
2.   Fica muito cansativo um texto muito extenso ao ser lido, por isso acho importante a existência de certos critérios, como por exemplo: o texto deve ser um texto que não tenha argumentos muito complexos, ou que trata da história da filosofia; é preciso promover também a discussão em sala de aula do texto e por esse motivo não usaria um texto muito extenso, pois o trabalho ficaria sempre inacabado.
3.   Deixar a analise do argumento para depois da leitura do texto.

Critérios de avaliação;
Ao pensarmos o modo como os nossos alunos são avaliados, devemos organizar certos critérios de avaliação que avaliem antes de tudo o interesse do aluno, o comprometimento, e principalmente como o aluno entende essas novas informações. Para tanto devemos ter em mente que estes critérios devem estar sendo sempre usados, não somente em período de atividade e sim em todo o momento das aulas (o que acho que muitas pessoas esquecem ao avaliarem seus alunos. Por esse motivo temos a aberração chamada “passar pelo concelho”, que não funciona se o aluno não for dedicado, pois mais adiante ele vai ser barrado por algum problema na sua formação do conhecimento.). Para mim, há dois critérios básicos de avaliação que se bem seguidos não precisaremos de outros:

Ø  Participação em aula;
Muita gente acredita cegamente que a participação em aula é um dever do aluno, e não discordo disso. O problema é que o aluno ao entrar em sala de aula aprende a testar o espaço e as pessoas ao seu redor (psicologias afirmam isso, principalmente no período da adolescência). Agora, devemos ter em mente que a participação em aula é um posicionamento meritocrático, em que o aluno aprende que se ele tiver um bom desempenho em sua participação ele vai ganhar nota, e o pior, muitas vezes pode ser entendido como o meio de conseguir passar no conselho escolar.

Tal critério é complexo por abarcar várias questões como éticas e morais, por exemplo. Devemos ter em mente que devemos fazer com que a matéria de filosofia seja respeitada, por esse motivo devemos utilizar tal critério ao longo do semestre, e atribuir valoração a ele. Para tanto tal valoração deve ser antes de tudo, colocada em conjunto com as outras atividades, para podermos argumentar a favor daquilo que realmente acontece com o aluno, tentar ajuda-lo quando for possível e evitar que o aluno passe sem saber direito do conteúdo exposto em aula porque o conselho escolar decidiu. Claro, podemos até pensar que esse é um meio de tentar burlar o conselho que estabelece implicitamente que a filosofia é uma matéria diversão, que não possui direitos de rodar um aluno... Claro que tenho em mente que mesmo no espaço pedagógico a filosofia não é vista como uma matéria séria e é esse o ponto que quero chegar.

Parece que se estabeleceu nos grandes centros educacionais a ideia de que a pessoa que trabalha com filosofia não está ligada nas coisas que acontecem no mundo, e que ela como matéria aparenta ser algo que não precisa ser relevada, e sim executada por ser um capricho do governo. Pois bem, sabemos disso tudo como se fosse uma verdade incontestável, por obtermos dados empíricos sobre o problema. A questão está de onde vem esse discurso. Coloquei anteriormente que a filosofia havia sido retirada dos currículos escolares do ensino médio no período da ditadura militar. Quando os militares fizeram isso, eles tinham em mente que um povo que não pensa era melhor de ser controlado e por esse motivo excluíram matérias como a filosofia e a sociologia do currículo escolar, e ai podemos ver o currículo como sendo um formador de ideologia.  Com a proibição vieram boatos de que essas duas disciplinas não eram importantes para a formação do individuo, pois estavam sendo substituídas pelas disciplinas de OSPB e Educação Moral e Cívica onde os alunos aprendiam coisas como cantar o hino brasileiro, o dia da bandeira, deveres do cidadão, etc. Claro, o aluno não aprendia a pensar e sim a decorar coisas tidas como importante para passar de ano no colégio.

Claro, isso vem mudando lentamente, tão lentamente que haja santa paciência. Mas o importante é que isso vem mudando. Por esse motivo, acho de extrema importância para o educador que trabalha com filosofia saber que a matéria ao qual ele desempenha é importante para formação de seus alunos como pessoa e por esse motivo ele deve procurar pesquisar sobre os assuntos a serem trabalhados em sala de aula. Para tanto é preciso que o professor enquanto professor mostre aos seus alunos a relevância de sua disciplina, mostrando que ela pesa sim no conselho escolar.


Ø  Prova escrita com consulta ao próprio material, seguindo critérios abaixo:
§  Coerência nos argumentos criados ou remontados;
§  Elucidação do problema utilizando exemplos próprios;
§  Uso da estrutura básica de redação escolar: texto contendo início meio e fim:
¨      6.2.3.1) INICIO: explicação sobre o problema, expondo a sua relevância e apontando qual é a opinião formada;
¨      6.2.3.2) MEIO: Desenvolvimento de argumentos favoráveis a opinião apontada na introdução, como meio de justificar tal posicionamento diante do problema.
¨      6.2.3.3) FIM: conclusão apresentando um argumento final sobre a opinião defendida e uma possível solução para o problema.
¨      6.3) Trabalho em grupo supervisionado;
O trabalho a ser desempenhado, visa a organização dos alunos enquanto atuantes dentro do espaço de produção e organização do conteúdo ao qual estão desenvolvendo. Para tanto é preciso que o grupo saiba interagir entre si, e busque coisas novas para o seu trabalho, tendo em vista  aprimorar o seu conhecimento.        
¨      6.4) Organização do material de estudo: aqui será levado em consideração a procura do conhecimento por parte do aluno, bem como o seu empenho em entender a matéria.