Estamos em uma era em que a situação docente brasileira é crítica por não ser muito valorizada por instâncias governamentais. Esse seria um dos motivos que me levaria a não escolher a docência, pois estaria perdendo dinheiro ao passo que poderia estar trabalhando com algo lucrativo (talvez administração, contábeis, etc.). Quem acaba trabalhando como professor, esperando ganhar dinheiro, se engana, pois o que ganharemos como futuros professores serão preocupações, idéias frustradas, equipe diretiva que não te aprova, trabalhos não levados a serio, “enturmação” (onde são postos 50 alunos em uma sala de aula), onde a melhor parte ocorre quando ensinamos algo de útil a essas crianças no meio deste monte de contras educacionais.
Quando entrei na UFRGS, escolhi o curso de bacharelado em Filosofia, pois não tinha em mente ser professora (me imaginava uma pessoa enlouquecida com um monte de alunos em sala de aula). Fui pensando melhor nesta profissão, pois me lembrava dos professores ruins e dos bons (dois excepcionais, ótimos professores), fazendo assim várias observações de como a educação poderia melhorar e tentando entender o porquê dos professores ruins não conseguirem ser bons (até hoje a única explicação viável que encontrei é a de que esses professores, não querem ser professores, mas dão aula por não se sentirem capazes de trabalhar com a área que lhes interessam).
Quando o mês de janeiro chegou, fiz vestibular novamente e passei no curso de Licenciatura em Filosofia com o intuito de me formar professora. Neste momento senti a necessidade de pensar como eu queria ser professora (odeio a idéia de me tornar uma professora ruim). Cheguei à conclusão que para o meu intento se tornar verdadeiro, teria que ir muito além dos contras, pois se me baseasse neles arranjaria desculpas esfarrapadas que não resolveriam o problema dos alunos em suas aprendizagens escolares. Percebi que precisaria ir muito além da filosofia para que os meus alunos aprendessem realmente algo que faria algum sentido para a vida deles, onde a multidisciplinaridade deveria vigorar.
O que me motivou a escolher filosofia bacharelado é a possibilidade de trabalhar filosofia política, entendendo quais são os mecanismos da sociedade frente as suas organizações e a hierarquização feita para uma melhor administração. Hoje penso como posso trabalhar essas questões em sala de aula com os meus futuros alunos me dispondo à não trabalhar de qualquer modo como muitos professores fazem, pois quero fazer um trabalho onde as crianças e adolescentes se sintam parte integrante da comunidade onde vivem.
Que bom que apesar de toda a tua consciência a respeito da situação da docência no país não fez com que tu desistisse dessa carreira. São realmente muitos contras, muitas situações precárias, muita desvalorização do professor, mas ao mesmo tempo essa profissão tem algo que nos motiva que eu acredito ser as próprias relações ,entre seres humanos que somos, que ela nos proporciona e todas as possibilidades existentes nelas. Te desejo sorte, força e siga em frente na vontade de discutir o que achas importante e de possibilitar aos alunos esse maior entendimento do meio em que eles estão inseridos.
ResponderExcluirDesde o início da década de 1980, mais precisamente desde 1978 e 1979, os salários dos professores no RS declinaram substantivamente. Se na década de 1950 e 1960 ainda tinha valor ser professor, isso não se manteve e a situação atualmente é crítica. Há uma tentativa no governo atual (federal e estadual) em melhorar a situação dos professores, mas parece que o governo estadual já não começou bem. Os impasses sobre se valorizam o magistério conduzem os professores para situações insustentáveis. Não acredito que os professores desalentados sejam assim ou sejam infelizes porque nada conseguiram. Talvez uma parte não gostaria mesmo de ser professor, mas não é fácil fazer opções quando não se tem condições para isso. Se o país está mal não há praticamente opção para qualquer pessoa. E ela fará ou será o que for possível naquele momento. Tal escolha poderá encontrar os seus desejos e mesmo assim se sentir desalentada por não ver como sua profissão pode melhorar no tempo da seus investimentos.
ResponderExcluirFico feliz com a tua escolha e desejo que consigas manter dignamente esta escolha. Abraços,