INTRODUÇÃO
O estudo do
mecanismo envolto na educação básica é necessário para que entendamos como pais
alunos e funcionários estão incluídos (ou excluídos) do processo educacional.
Podemos pensar que a educação possui tal característica por estar condicionada
em um período histórico, ou ter por base outro ideário, ou ainda possuir
políticas que não condigam com a real necessidade do povo na área educacional.
Notamos que as explicações são muitas e poucas realmente conquistam sua
finalidade, e o fazem por conseguirem levar em consideração aspectos
importantes como o tamanho do Brasil, a cultura difundida no país, o pensamento
do povo que mora em tal localidade e como se dá a relação econômica nas
diferentes regiões. E é a partir delas que se poderia discutir o que é
realmente educação. Sendo assim notamos que muitos teóricos encontram os
problemas no aparato educacional, e as soluções no aparato econômico,
refletindo na crescente preocupação com esta área especifica em detrimento a
outra.
Parto do
pressuposto que a educação não deveria estar disponível ao bel prazer da
economia. Como afirmava Cezar Benjamin, é preciso que a educação seja fim e não
meio de se adquirir uma boa condição econômica como muitos especialistas no
assunto defendem. O que quero destacar neste momento, não é a subordinação (com
vias a uma redução ao absurdo) da educação para a economia, mas sim o problema
que isso gera para a construção do conhecimento, e em ultima analise a formação
do sujeito aluno que como o próprio termo já infere, é aquele ser que se
encontra sujeitado ¹, submetido a um modelo educacional. Isso pode se refletir
na falta de interesses que os alunos têm em aprender pelo fato de eles estarem
na escola em busca de um diploma para conseguirem arranjar um emprego. Bem mais
que isso, podemos notar que a escolarização para a população brasileira e para
vários períodos históricos servia para a formação da mão de obra. Digo mais, na
maioria dos períodos históricos se vê isso. Pode ser notada que a especificação
do trabalho vai estar ligada em última analise a educação, e assim sendo
podemos supor que então a educação teria uma serventia pro mundo do trabalho (que
é o ideário que tentamos fugir). Notamos que em última analise esta
especificação educacional sendo regulada pela economia, vai gerar um grande
retrocesso em termos educacionais, pois não está
sendo
pensada uma educação que vise à formação de um ser, e sim de um sujeito que
estará responsabilizado por um cargo e desempenhando a sua função tecnicista no
mundo do trabalho.
Não afirmo
que não deva existir formação para o trabalho, só que agora transformar o
espaço escolar no lugar para se conseguir somente esta finalidade é muito
complicado. Pode ser visto que no parágrafo segundo da lei de Diretrizes e
bases da educação brasileira aparece:
“§
2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática
social.”
A lei e a
prática diferem em demasia. Pouco se fala de ações que visem à prática social,
mas sim, as que visam ao mundo do trabalho. Isso também se reflete no conteúdo
que é passado, ou nas provas amostrais aplicadas pelo poder publico. Podemos
ver que na maioria das provas, as matérias a serem analisadas são matemática e
português, onde as áreas sócio-históricas não são avaliadas (no caso do SAEB,
prova Brasil e Provinha Brasil). É como se fosse esquecida a formação do
individuo. Alem disso, vimos maiores preocupações por parte das escolas com
estas duas matérias, que com as outras áreas do conhecimento (isso se reflete
na distribuição de períodos. Geralmente matemática e português têm em média de
três a quatro períodos por semana, enquanto geografia, história ou até artes
possuem em média de um a dois períodos, ou ainda, não são postas na grade
curricular do aluno). Isso é um problema, pois aparenta que não é importante a
formação social do aluno. É como se este ser não fosse inserido na sociedade, e
simplesmente posto nela de tal forma que as responsabilidades incutidas na vida
dele, valessem mais que o próprio pensar e agir neste meio.
COMO SE DÁ A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
Com o contexto
atual da educação brasileira, é de suma importância conhecer sua organização. Podemos começar a analisar o que ocorre com
os conselhos escolares, onde deveria ser um lugar de discussão sobre a
organização de seu ambiente: um espaço de propostas e real participação da
comunidade. O que ocorre muitas vezes é que este espaço existe a caráter
esporádico (para aprovação da prestação de contas), ou como órgão escolar de
fechada, para cumprimento de lei (outros casos nem há a preocupação de se
montar o conselho escolar com medo da sanção quando do não cumprimento da lei),
ao invés de ser configurado como espaço de debate efetivo sobre o cotidiano
escolar. O problema é que a atual formação deste espaço na escola vem sendo
muito prejudicada pelos ideários atuais de gestão escolar. Como vimos, no
momento em que se passa a aceitar um modelo de gestão escolar gerencialista,
estamos abrindo as portas para que este espaço, em última análise, seja
prejudicado, pois uma vez aceito um sistema cuja organização se baseia na
figura do diretor, onde o diálogo por vezes não é travado, havendo uma
imposição de princípios e valores, deslegitima a ação da comunidade escolar
frente às decisões que na escola permeiam.
Desta forma podemos ver que a organização do
espaço escolar deveria estar submetido as deliberações da comunidade escolar,
ao invés de a comunidade escolar estar submetida às deliberações da gerência
escolar. Outro exemplo clássico de má organização escolar são os PPP’s
(projetos políticos pedagógicos), onde por vezes são os mesmos por muito tempo,
não respeitando as características e demandas da população, ou até sendo
utilizados por anos.
Outro
aspecto relevante é a subdivisão da educação básica em educação infantil,
ensino fundamental e ensino médio. Cada uma destas etapas possui suas
peculiaridades. A educação infantil, corresponde à faixa etária dos zero aos
cinco anos de idade. Na LDB o artigo 29 expõe que:
“A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem
como finalidade o desenvolvimento integral da criança até cinco anos de idade,
em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a
ação da família e da comunidade.”
Desta forma a finalidade da creche é que esta
seja o espaço onde estas crianças possam desenvolver sua autonomia, encontrem a
sua identidade, conheçam o convívio que se dá entre seres humanos, sendo tudo
isso de maneira lúdica, onde a criança produza e obtenha o conhecimento. O
ensino fundamental, por sua vez, compreenderia as crianças dos seis aos catorze
anos, onde já seriam trabalhadas as produções textuais, o desenvolvimento do
raciocínio lógico-matemático, entre outras questões. Muitos especialistas
afirmam que com o aumento de mais um ano no ensino fundamental, ao invés de se
conseguir um ano a mais na escolarização do aluno, na verdade foi retirado um
ano da educação infantil, e isso de certa forma, acarretaria na desvinculação do
ensino lúdico precocemente, pois a criança nesta fase ainda precisaria deste
artifício para aprender. Já o ensino médio seria o lugar onde o individuo
desenvolveria as suas habilidades para se preparar efetivamente para a
sociedade, onde a formação profissional e a orientação para este meio seriam
tidos como assuntos fundamentais para a complementação individual.
Além desta
divisão, podemos notar que existem as modalidades do ensino básico. A EJA
(educação de jovens e adultos) tem por finalidade educar de maneira precisa,
jovens e adultos que não tiveram acesso à educação no tempo escolar regular. A
educação profissional, por sua vez, pode estar vinculada ou não ao ensino
médio. É uma forma de capacitar para o mundo do trabalho. Há grande embate
sobre a real formação dos indivíduos submetidos a este meio, tendo em vista que
esta formação é considerada muito técnica, não primando para o desenvolvimento
social e individual, mas sim a uma lógica de mercado. Já a educação especial é um caso à parte, por
perpassar todas as etapas da escolarização do indivíduo. Aquela pessoa que
precisa de um acompanhamento especializado vai possuir um atendimento voltado
as suas especificidades, cuja finalidade desta modalidade de ensino é integrar
este ser que é tido como diferente, na sociedade, que em outras épocas o
excluiria.
CONCLUSÃO
Concluo afirmando que muito mais que boas
ações devemos ter consciência daquilo que envolve a educação, pois poderíamos
achar que estamos fazendo parte dela sendo que na verdade não são abertas as
possibilidades pra isso. Em última análise é preciso que os pais participem da
vida escolar de seus filhos. Se eles não possuem tempo, nada impede que eles
olhem os cadernos de seus filhos aos finais de semana, e responsabilizam a
estes com o seu dever de estudar. Quanto a órgãos máximos como o conselho
escolar, devemos nos recordar que este faz parte de uma gestão que tem por
cerne a democracia, e já como na constituição brasileira diz que a educação
deve ser democrática, então o faremos. Mas antes de tudo, precisamos fazer com
que as pessoas se sintam atuantes, e não sujeitadas a um processo educacional
(que sejam SUJEITOS ² agentes), e ai sim poderemos mudar tal situação. Para
tanto as pessoas precisam se informar e conhecer sobre o que está acontecendo
na vida escolar de seus filhos, para poderem questionar e perceber, para depois
mudar a situação educacional no Brasil.
²Faço menção à segunda concepção de sujeito exposta por Focault.