quarta-feira, 26 de outubro de 2011

BREVE REFLEXÃO SOBRE CURRÍCULO


A teorização sobre o currículo vai se revelar como fator importante nas discussões acerca da educação, em que vai estar presente a ideia de organização curricular hegemônica em certas localidades e em outras um pensamento mais neoliberal sobre o currículo. Desta forma podemos ver presente que há uma tensão entre as idéias, e que uma pode tratar mais da organização social como um todo, ou outra ainda numa ideia mais neoliberal. Neste contexto se fazem presente as leituras negociadas, que proporcionam diferentes interpretações sobre currículo.

O intuito presente nestas discussões é a tentativa de sanar os problemas gerados (novos e antigos), em que para os educadores na década de 70 era primordial entender o que é currículo na realidade (como se houvesse um monte de coisas determinadas que devessem ser trabalhadas, porém não havendo comunicação entre as áreas ). Podemos constatar a existência deste problema quando ouvimos de professores antigos e novos não ser necessário planejamento de suas aulas, pois já sabem o que devem ensinar como se ensinar fosse comparado a uma receita de bolo. Desta forma o professor não se atualiza e acaba não organizando uma aula que seja condizente com o tempo-espaço ao qual ele (parte integrante da educação) está inserido na realidade do aluno.

Mesmo assim o currículo vai se apresentar como sendo um campo vasto e heterogêneo, possuindo várias interpretações. Quando se fala em heterogeneidade estamos pensando em várias coisas que podem ser trabalhadas, o problema se encontra quando tentamos supri-lo colocando em seu lugar a homogeneidade. Quando efetuamos esta troca, podemos por último impor aos alunos a ideologia da cultura dominante, e não, fazer um paralelo coma cultura dos alunos. Desta forma a ideia de internacionalização do currículo entra como sendo um espaço onde, educadores do mundo todo trabalham numa nova releitura ou definição de currículo afim de que as discussões sobre raça, gênero, justiça social e sexualidade sejam melhores discutidos e trabalhados nos espaços escolares mediante a uma redefinição curricular. Pode ser notada uma preocupação na organização curricular tendo como objetivo uma educação que condiga com as necessidades educacionais presentes nos vários contextos escolares.

A déia de heterotropia também presente neste texto, tem como cerne a ideia de um lugar viável “porém parece se encontrar fora dos lugares convensionáis.” Pensando também na ideia de emplazamento (deve haver um porquê na escolha de um determinado texto afim de que ele provoque aquilo cujo papel lhe é designado. Desta forma podemos pensar que a educação deve sim trabalhar com textos,  por um lado ,e por outro,deve ser entendido pelos alunos. Ou seja é necessário no processo educacional a analise textual, e mais que isso,o entendimento do aluno sobre o  texto.

Concluo esta breve reflexão afirmando que em todas as concepções aqui mostradas, pensam o currículo de forma diferenciada. Como elas fazem esta reflexão, pode ser notada certa preocupação no que ensinar. Ou seja, a existência destas interpretações vão nos permitir pensar o currículo como sendo algo abrangente de certa forma, porém com particularidades diversas, onde para uns autores o currículo deveria tratar mais de temas tidos como tradicionais, onde a cultura tida como erudita seria considerada a melhor, em detrimento à  cultura do aluno. E quando aplicamos isso na sala de aula, estaremos negando a existência da cultura deles.

BREVE COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO “NOTAS SOBRE O SABER DA EXPERIÊNCIA”


O intuito do autor espanhol é antes de tudo tentar pensar a educação sob o aspecto da experiência relacionada com sentido. Para tanto é preciso entender a experiência produzindo efeitos em um determinado ser, caso contrário poderíamos ter um monte de informações travestidas de experiência. Por isso devemos ver a importância das palavras, pois elas expressam ou nomeiam ações e pensamentos, e desta forma constituem pensamentos.

O primeiro aspecto relevante no texto é a distinção entre experiência e informação. Nas palavras do autor “a experiência nos toca”. E se assim o é, podemos pensá-la como parte da construção de um conhecimento real, onde a mera exposição dos fatos não será condicionante para o entendimento real, mas sim a própria experiência. Agora podemos ser críticos com a educação que estamos desenvolvendo com os nossos alunos, será essa uma educação informativa, ou experimental. Noto muitas vezes que temos medo do termo experimental, como se muitas vezes não soubéssemos o que estamos fazendo no espaço escolar, mas na realidade é outra coisa: proporcionar experiências. Como ainda estamos muito ligados como esta ideologia, continuamos com a ideia de que precisamos passar informações para os nossos alunos e desta forma mostramos a eles que VTD’s (verbos transitivos diretos), no português se resumem a esta nomenclatura, e são usados em frases que não condizem com algo, e posteriormente nunca mais serão usados. O espaço da experiência sob este aspecto seria o espaço da construção textual. Mas se não há a disponibilidade deste aluno desenvolver tal habilidade, não haverá experiência e sim um acúmulo de informações.

Outro aspecto interessante do texto é a crítica a sociedade de informação que viabiliza o periodismo. Quando a sociedade está acostumada a trabalhar muito com a informação, teremos como conseqüência a opinião formada sobre estas informações e a maneira de divulgar estas informações é a partir de periódicos. Com uma informação totalmente disseminada, o individuo acaba se tornando mero espectador, e ao invés de construir, discutir, planejar, organizar e entender a história, acaba por reproduzir uma opinião formada, e desta forma a discussão que vem junto com a experiência não será feita, por já se ter uma opinião formada. Deste modo teremos em última análise a formação de uma sociedade que não vai achar muito importante a formação de um pensamento crítico