Podemos
pensar a educação de vários modos. Quando afirmamos isso estamos deixando de
lado a ideia de que o currículo deve ser único e simplesmente atrelado às
funções burocráticas do meio escolar. Tenho certeza de que quando falamos em
currículo estamos expressando o que realmente perfaz o caminho do indivíduo
aluno e do individuo professor, sendo ambos muitas vezes vistos como partes
antagônicas do processo educacional. O currículo, portanto é multifacetário:
Vimos que nesta relação (entre aluno e professor) o professor se mostra como
sendo aquele que constrói o conhecimento a partir do entendimento das coisas
atreladas à sua matéria, onde muitas vezes este individuo não consegue
trabalhar temas transversais por estar tão habituado com a sua matéria. O
individuo aluno por vezes, se mostra estando submetido a esta forma de
educação.
A função do
professor muitas vezes está submetida ao sistema de notas. Os professores
procuram estar em dia e fazer as suas partes para que os alunos não sejam
prejudicados. Há a relação do professor com o cumprimento de prazos, onde a
eficiência dele está atrelada a isso. É como se o índice de qualidade de um
professor fosse medido através disso (sendo que todos nós sabemos não ser essa
a medida de competência), não há outra forma de mensurar isso a não ser desta
forma, aparentemente. O problema disso se encontra na organização social ao
qual estamos inseridos, pois vivemos em uma sociedade que presa por tal valor,
onde o tempo que estamos utilizando significa ganhar e ganhar, e quando não
utilizamos da mesma lógica do “ganhar” estamos perdendo por fazer coisas
interessantes para o conhecimento. E desta forma parece que a organização
curricular deve estar de acordo com um plano de metas a serem cumpridos e só. É
óbvio que não tem como concordar com isso porque a educação é muito mais que
uma mera formalização do sistema educacional. É muito mais que a simples
distribuição de tarefas e a sobreposição de ideais. É muito mais que a relação
antagônica que o próprio sistema tenta impor sobre os indivíduos no espaço
escolar. E assim sendo, o currículo também não é uma mera listagem de
conteúdos, e sim pode ser chamado de processo evolutivo que vai estar presente
na educação do individuo, submetido à organização do espaço, e às
características da turma.
Para que
estes problemas comecem a ser resolvidos devemos pensar em primeiro lugar na
tentativa de se estabelecer um diálogo. Tentar entender o que o aluno traz como
bagagem cultural para dentro da sala-de-aula. Devemos ensiná-los que
responsabilidades existem e que o mundo fora do ambiente escolar é grandioso e
vasto (eles têm escolhas a serem feitas e, portanto é necessário ter prudência
na hora de decidir as coisas tanto no campo social quanto no familiar). Isso
faz parte do currículo, faz parte do cotidiano escolar e dos laços estabelecidos
entre os alunos e professores.
Desta forma,
vimos que o currículo se constrói através dos tempos e de como o professor
passa o conteúdo aos seus alunos, pois as suas convicções vão fazer com que a
aula seja pensada de tal forma e não de outra. Vimos que o currículo é um
lugar, um espaço determinado onde construímos o nosso conhecimento, as nossas
convicções e ideias. Vimos também que ele é a trajetória que perfaz toda a vida
do aluno como também a do professor, ele perfaz a vida do aluno e do professor
(é nele que vemos o programa dos conteúdos a serem ministrados nas aulas). Por
último o currículo faz parte da nossa formação, e por fazer parte dela acaba
submetendo
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