sábado, 8 de junho de 2013

É COMPLICADO!

Há muito tempo que estava querendo publicar um post sobre o conceito de “complicado” que ouço por aí. Bem lá vai...

A primeira consideração que queria colocar neste post é que mesmo que as pessoas pensem que o a palavra complicado significa algo que não dá pé, na verdade considero tal palavra com sendo um convite desafiador para que nos renovemos constantemente nas nossas ações cotidianas, inclusive em sala de aula. Quero dizer com isso que o conceito de complicado que usamos ultimamente não é o conceito correto e não quer dizer o que realmente a palavra quer dizer. Isso se deve ao fato que muitas vezes buscamos certas desculpas que não condizem com a realidade de nossos alunos, pois acreditamos que fazemos a nossa parte. Se fizermos a nossa parte, então podemos descansar tranquilamente à noite. O problema que a coisa não deveria ser pensada de tal modo.

Imagine que você está dentro de uma sala de aula com trinta adolescentes com os hormônios estourando e que você deve transmitir o conhecimento que tens a eles. Nenhum aluno está prestando atenção em você. Ninguém quer saber de matemática, física e se você for professor de filosofia, você percebe que a situação se complica ainda mais por causa do descrédito e preconceito institucionalizado na nossa sociedade – só agora é que estão surgindo políticas que tratam do ensino de filosofia –(olha só o nosso termo aparecendo aqui novamente XD). A questão é que muitas vezes nos escondemos atrás desse termo e o significamos como algo impossível. A palavra complicada, quando usada, pontua a existência de algo difícil de ser feito. Isso não quer dizer que as atividades que você propõe sejam impossíveis de serem feitas. A desculpa é sempre a mesma: eles não querem nada com nada. Infelizmente alguns professores pensam assim. Eu já tive professores com esse tipo de pensamento, todo mundo já teve. Numa das escolas onde eu estudei (ainda bem que fiquei somente um ano), tinha uma professora que lançava a seguinte máxima: “Esse aí é irmão do Fulano. O Fulano parou de estudar na quinta série, não é ninguém, vive vendendo droga... esse daí vai seguir o mesmo caminho, por isso não preciso me preocupar com ele!”. Bem hoje o irmãozinho do Fulano tá fazendo faculdade, não sei do que, mas está fazendo (não é a faculdade do crime!, faculdade mesmo!!!). A teoria da hereditariedade genética que essa pessoa que se diz educadora não passou despercebida por mim, pois achava um absurdo desde aquela época de ensino fundamental. Continuando o restante desse pensamento ridículo e preconceituoso ela dizia: “Eu tentei explicar ao irmãozinho do Fulano, mas ele nunca me ouviu, esse daí também não ouve, é complicado lidar com gente assim!”.  Outra vez a palavra complicada aparece como sinônimo de impossibilidade.

Certa vez estava eu e a minha irmã num jantar de comemoração de término de mestrado de uma amiga minha. Essa minha amiga também tinha uma amiga que é professora da educação infantil. Acho que fiquei tão complexada com essa situação que eu acabei pegando a mania de testar as outras pessoas. Comecei a conversar com ela sobre educação. Daí comentei que a professora da FACED disse que devemos analisar a turma e que havia coisas que poderíamos fazer com tal turma e com outras não porque era complicado de ser feito (claro, tudo mentira: nunca ouvi isso), e o pior ainda, disse que concordava. A cara que a guria fez foi de revolta. É sério, nunca vi uma educadora tão revoltada com uma besteira dessas, e ainda bem que ela é revoltada com esse tipo de fala! Fiquei muito feliz de descobrir que existem pessoas que não pensam desse jeito manipulador e triste. Claro, passei por uma completa abobada... mas enfim, gostei de saber que ela tinha passado no meu teste. Porém, existe outro teste implícito que era a conceptualização do termo complicado, que ela não quis se adentrar, ou que no momento ela não pensou em formular. De novo o termo complicado descontextualizado (ou tido por ela de tal modo descontextualizado)!


Adoro falar besteiras e ver como as pessoas reagem a elas. O problema é que me torno uma pessoa sem crédito no que falo (tenho que mudar essa mania). Mas o bom é que consigo extrair aprendizados poderosos, tão poderosos que valem a pena tal descrédito. Para encerrar, voltando ao assunto desse post, é complicado achar que quando um aluno não aprende não é problema nosso. É problema nosso, pois estamos tratando da vida daquele sujeito. Ainda não tive o desprazer de rodar algum aluno, mas antes de fazê-lo pretendo insistir muito nele, pra depois poder dizer que fiz tudo o possível, que tentei vencer as barreiras do complicado com ele e aí sim, dormir em paz!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE ENSINO DE FILOSOFIA NO ENSINO BÁSICO

Este post terá como finalidade explicitar a minha opinião sobre projeto didático pedagógico em filosofia. São notas de aula e experiências vividas (mesmo que curtas), que propiciaram tal reflexão. Portanto, digo de antemão que  há ideias que vão ser desenvolvidas com o tempo na atividade de docente que irei desempenhar nos estágios, e posteriormente em sala de aula. Provavelmente haverão coisas que as pessoas podem não concordar e que podem (talvez devam) ser mudadas com a prática em sala de aula. Divirtam-se com os meus exageros pedagógicos ....


v  Pensar o que irá ser trabalhado.

Parece trivial, mas isso é a primeira coisa a ser feita. Parece que muitos professores se esquecem disso ao organizarem as suas aulas quando que não propõem um tema central a ser discutido. Por exemplo: o professor Antão resolveu dar aula sobre os problemas da sociedade, na aula seguinte ele resolve trabalhar com a política aristotélica. É óbvio que esses temas são muito interessantes, mas qual é o foco a ser trabalhado? Essa questão é importante porque o aluno ao entrar em uma sala de aula vai se perguntar justamente o porquê que ele está estudando aquilo, e se isso tem algum fundamento, e como pode justifica-lo.
Ao pensar no que pode ser trabalhado com os alunos devemos levar em consideração alguns aspectos importantes, a saber:

a)      Comportamento, Como se dá a interação entre eles: podemos pensar que o aluno ao entrar em sala de aula e interagir com o resto da turma, busca em primeiro lugar, encontrar o seu espaço dentro de um grande grupo buscando criar sua identidade e sua personificação. Ele pode ser caracterizado como o aluno que não quer nada com nada, ou o CDF, ou ainda como o irritante que quer boicotar a aula do professor. Mesmo com cada personalidade definida, devemos pensar antes de tudo o como a turma lida com essas personalidades tão distintas. Se há uma aceitação, e como ela se dá. E no caso dos alunos com o professor como se dá a intervenção deste educador: de modo abrupto (xingamentos) ou tranquilo (um simples “chamar a atenção” da turma). Ao analisar esses detalhes podemos traçar (aproximadamente NUNCA PRECISAMENTE) um perfil da turma, e daí de acordo com esse perfil, montar atividades que sejam relativamente agradáveis para o grupo, e que o professor consiga dirigir de maneira agradável a tarefa que se propõe a fazer com seus alunos.

b)      Como eles veem a disciplina de filosofia: uma coisa muito importante nos dias de hoje, é como a filosofia é vista pelos alunos. Uma parte muito significativa dos estudantes do ensino médio não gosta da matéria de filosofia por não verem grandes progressos intelectuais no que estão fazendo, como eles percebem em português, matemática, física, etc., por conta das notas atribuídas, pela facilidade de encontrar o problema nas resoluções de seus exercícios e também pelo descrédito que a filosofia sofreu por causa da ditadura militar. Vemos algum esforço do Governo Federal de tentar colocar a filosofia como sendo uma matéria como qualquer outra ultimamente, porém esse é o primeiro passos de muitos. Por esse motivo acho mais interessante trabalhar um tema introdutório, discutindo o que pra eles é filosofia (muitos vão ter a cara dura de te falar que isso é uma viagem completa que não tem cabimento XD), e logo em seguida trabalhar algum texto sobre o assunto.




v  Pensar como o assunto pode ser trabalhado de modo pontual, didático e autônomo não esquecendo o embasamento teórico.

Quando pensamos em um embasamento teórico, temos por finalidade uma ideia precisa do que trabalhar segundo mediante texto. Isso é bom, e é preciso. O que acontece muitas vezes nas aulas de filosofia é que o professor acorda inspirado com um tema latente na cabeça, e resolve trabalha-lo como sendo a coisa mais inovadora na face da terra, esquecendo o bendito embasamento teórico. O embasamento teórico, ao qual me refiro, é um texto de um autor, seja ele filósofo, comentador, ou autor de contos, fábulas, romance ou qualquer outro gênero literário. Esse é o texto que deveria nortear toda a discussão, por ser ele o estopim da discussão.  

O que acontece muitas vezes, é que o tema a ser desenvolvido é um tema muito bom, super legal de se trabalhar com uma turma de adolescentes ou crianças. E por esse motivo, por ser um tema muito bom e por ser maleável, o educador acaba ficando somente na organização de opinião. Ele pode promover o debate entre seus alunos, mas dificilmente estes alunos vão conseguir sair do debate e expressar um argumento a favor ou contra algum posicionamento qualquer (sendo essa a meta do educador na área da filosofia), pois falta tal embasamento teórico.

Por isso, acho muito importante deixar claro alguns aspectos:
i)  Devemos trabalhar analise e redação de textos filosóficos com os nossos alunos, pois isso faz parte da formação deles como indivíduos. Devemos nos lembrar que a língua portuguesa é sempre muito privilegiada nas instituições de ensino, por ser este o modo de se conseguir uma boa comunicação entre as pessoas. Com o texto filosófico, não é diferente! Ao trabalharmos analise de argumentos com os nossos alunos, estamos estimulando a organização do pensamento e a composição de novas ideias precisas.


ii)    Não estou dizendo que não há como trabalhar com os alunos algo diferente como uma dinâmica, ou uma atividade em grupo, muito antes pelo contrário, devemos estimular os adolescentes a desempenharem tais atividades.  Porém existem condições para que consigamos trabalhar com essas atividades que serão apresentadas posteriormente.

v  Reunir materiais que falam sobre a problemática proposta;

O embasamento teórico nós já temos. Agora faltam os textos e os materiais subjacentes a serem usados em sala-de-aula. Estes textos podem ser anúncios de jornais, músicas, propagandas. Os materiais, podem ser jogos ou vídeos. Devo concordar que os jogos são um pouco complicados de serem achados, por esse motivo acho válido o professor aprender a organizar um material didático que sirva como um meio de se descobrir novas coisas, ao mesmo tempo em que é proporcionada alguma diversão aos estudantes. Claro, devemos ter bem claro que a aula de filosofia não é um espaço de divertimento apenas, mas sim de uma organização que viabiliza a obtenção do conhecimento de uma maneira simples, direta e que pode ser descontraída ( por que não?). o problema é como fazemos isso !

Ao pensar um grupo de atividades que envolvem a reflexão filosófica, como jogos, análise de textos, o uso de filmes ou seus trechos, estamos, em ultima analise, tentando desenvolver o potencial cognitivo de nossos alunos de modo que eles saibam como agir sozinhos ou em conjunto diante de um problema. A questão apontada ao término do parágrafo anterior versa sobre a possibilidade de conseguir desenvolver tais atividades tendo isso como objetivo. Não há uma receita pronta para a organização do espaço de conhecimento, pois o temperamento da turma é definido mediante as condições ao qual está submetida. Portanto é preciso por parte do educador uma boa capacidade de observação da turma no momento em que ele dá aula e anotar quais as reações que os alunos acabam tendo quando apresentada alguma proposta de trabalho. Assim podemos ter parcialmente uma visão do como eles gostam da aula e delimitar algumas restrições no comportamento do grande grupo. Pois como diria Tomaz Tadeu “o currículo é uma questão de saber , identidade e poder”.

Desejo continuar com uma breve reflexão do excerto de Tomaz Tadeu adaptada ao ensino de filosofia. Devemos levar em consideração que o currículo pode ser um percurso na vida de um aluno que vai significar algo pra ele. A variação de como ele adquire  o conhecimento e como ele o absorve, vai depender, antes de tudo, de como ele se habilita a descobrir novas coisas, novas ideias. E por isso acho de extrema importância a imposição e a cobrança de uma organização rigida dos trabalhos efetuados, pois essas nossas ações pedagógicas modelam o individuo, cuja confirmação teremos quando este individuo chega à idade adulta. Por esse motivo acho importante frisar que as partes envolvidas no processo educativo de um indivíduo são o aluno, seus pais, a escola como um todo e seus professores, pois eles fazem parte da convivência e acabam formando (ou deformando, com suas atitudes nem um pouco louváveis quando é o caso) o caráter do individuo. Assim posso concordar com Tomaz Tadeu :

       “Se quisermos recorrer a etimologia da palavra currículo, que vem da palavra latina curriculum, ‘pista de corrida’, podemos dizer que no curso desta corrida, acabamos por nos tornar o que somos. Nas discussões cotidianas, quando pensamos em currículo, pensamos apenas em conhecimento, esquecendo-nos de que o conhecimento que constitui o currículo está inextricavelmente, centralmente, vitalmente envolvido naquilo que somos, naquilo que nos tornamos: na nossa identidade na nossa subjetividade.” (TADEU, pag.15)


v  Desenvolver debates entre os alunos nos grupos tendo por objetivo os seguintes aspectos:
Ø  Desenvolver um raciocínio critico;
Ø  Organizar o argumento filosófico proposto com os grupos e a turma;
Ø  Promover uma discussão produtiva entre os alunos.
Parece trivial novamente, mas não é. Muitos assuntos se perdem na má organização de um debate. É preciso algumas questões –foco para que possa ser feita uma boa reflexão filosófica acerca do assunto.  Assim, podemos traçar uma linha (mesmo que seja tênue) que delimita o assunto. Podemos e devemos fazer com que nossos alunos tenham a capacidade de refletir sobre as suas ideias e qualificações acerca do assunto, porém tudo deve possuir uma organização para que a experiência não seja desagradável por conta de brigas e discussões desnecessárias. Portanto o papel do professor neste caso é o de mediador garantindo a criticidade proveniente dos alunos, a organização do pensamento filosófico e a discussão sadia na turma.
v  Leitura dos textos em aula, em conjunto;
Essa é uma atividade que exige muito do professor e dos alunos. Eu aconselho a não trabalhar textos muito extensos quando a ideia é ler um texto em conjunto, por causa disso:
1.      O aluno pode se sentir mau ao ler, e depois passar para outro que também pode se sentir mau ao desempenhar tal atividade;
2.   Fica muito cansativo um texto muito extenso ao ser lido, por isso acho importante a existência de certos critérios, como por exemplo: o texto deve ser um texto que não tenha argumentos muito complexos, ou que trata da história da filosofia; é preciso promover também a discussão em sala de aula do texto e por esse motivo não usaria um texto muito extenso, pois o trabalho ficaria sempre inacabado.
3.   Deixar a analise do argumento para depois da leitura do texto.

v  Critérios de avaliação;
Ao pensarmos o modo como os nossos alunos são avaliados, devemos organizar certos critérios de avaliação que avaliem antes de tudo o interesse do aluno, o comprometimento, e principalmente como o aluno entende essas novas informações. Para tanto devemos ter em mente que estes critérios devem estar sendo sempre usados, não somente em período de atividade e sim em todo o momento das aulas (o que acho que muitas pessoas esquecem ao avaliarem seus alunos. Por esse motivo temos a aberração chamada “passar pelo concelho”, que não funciona se o aluno não for dedicado, pois mais adiante ele vai ser barrado por algum problema na sua formação do conhecimento.). Para mim, há dois critérios básicos de avaliação que se bem seguidos não precisaremos de outros:

Ø  Participação em aula;
Muita gente acredita cegamente que a participação em aula é um dever do aluno, e não discordo disso. O problema é que o aluno ao entrar em sala de aula aprende a testar o espaço e as pessoas ao seu redor (psicologias afirmam isso, principalmente no período da adolescência). Agora, devemos ter em mente que a participação em aula é um posicionamento meritocrático, em que o aluno aprende que se ele tiver um bom desempenho em sua participação ele vai ganhar nota, e o pior, muitas vezes pode ser entendido como o meio de conseguir passar no conselho escolar.

Tal critério é complexo por abarcar várias questões como éticas e morais, por exemplo. Devemos ter em mente que devemos fazer com que a matéria de filosofia seja respeitada, por esse motivo devemos utilizar tal critério ao longo do semestre, e atribuir valoração a ele. Para tanto tal valoração deve ser antes de tudo, colocada em conjunto com as outras atividades, para podermos argumentar a favor daquilo que realmente acontece com o aluno, tentar ajuda-lo quando for possível e evitar que o aluno passe sem saber direito do conteúdo exposto em aula porque o conselho escolar decidiu. Claro, podemos até pensar que esse é um meio de tentar burlar o conselho que estabelece implicitamente que a filosofia é uma matéria diversão, que não possui direitos de rodar um aluno... Claro que tenho em mente que mesmo no espaço pedagógico a filosofia não é vista como uma matéria séria e é esse o ponto que quero chegar.

Parece que se estabeleceu nos grandes centros educacionais a ideia de que a pessoa que trabalha com filosofia não está ligada nas coisas que acontecem no mundo, e que ela como matéria aparenta ser algo que não precisa ser relevada, e sim executada por ser um capricho do governo. Pois bem, sabemos disso tudo como se fosse uma verdade incontestável, por obtermos dados empíricos sobre o problema. A questão está de onde vem esse discurso. Coloquei anteriormente que a filosofia havia sido retirada dos currículos escolares do ensino médio no período da ditadura militar. Quando os militares fizeram isso, eles tinham em mente que um povo que não pensa era melhor de ser controlado e por esse motivo excluíram matérias como a filosofia e a sociologia do currículo escolar, e ai podemos ver o currículo como sendo um formador de ideologia.  Com a proibição vieram boatos de que essas duas disciplinas não eram importantes para a formação do individuo, pois estavam sendo substituídas pelas disciplinas de OSPB e Educação Moral e Cívica onde os alunos aprendiam coisas como cantar o hino brasileiro, o dia da bandeira, deveres do cidadão, etc. Claro, o aluno não aprendia a pensar e sim a decorar coisas tidas como importante para passar de ano no colégio.

Claro, isso vem mudando lentamente, tão lentamente que haja santa paciência. Mas o importante é que isso vem mudando. Por esse motivo, acho de extrema importância para o educador que trabalha com filosofia saber que a matéria ao qual ele desempenha é importante para formação de seus alunos como pessoa e por esse motivo ele deve procurar pesquisar sobre os assuntos a serem trabalhados em sala de aula. Para tanto é preciso que o professor enquanto professor mostre aos seus alunos a relevância de sua disciplina, mostrando que ela pesa sim no conselho escolar.


Ø  Prova escrita com consulta ao próprio material, seguindo critérios abaixo:
§  Coerência nos argumentos criados ou remontados;
§  Elucidação do problema utilizando exemplos próprios;
§  Uso da estrutura básica de redação escolar: texto contendo início meio e fim:
¨      6.2.3.1) INICIO: explicação sobre o problema, expondo a sua relevância e apontando qual é a opinião formada;
¨      6.2.3.2) MEIO: Desenvolvimento de argumentos favoráveis a opinião apontada na introdução, como meio de justificar tal posicionamento diante do problema.
¨      6.2.3.3) FIM: conclusão apresentando um argumento final sobre a opinião defendida e uma possível solução para o problema.
¨      6.3) Trabalho em grupo supervisionado;
O trabalho a ser desempenhado, visa a organização dos alunos enquanto atuantes dentro do espaço de produção e organização do conteúdo ao qual estão desenvolvendo. Para tanto é preciso que o grupo saiba interagir entre si, e busque coisas novas para o seu trabalho, tendo em vista  aprimorar o seu conhecimento.        
¨      6.4) Organização do material de estudo: aqui será levado em consideração a procura do conhecimento por parte do aluno, bem como o seu empenho em entender a matéria.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O CURRÍCULO


Podemos pensar a educação de vários modos. Quando afirmamos isso estamos deixando de lado a ideia de que o currículo deve ser único e simplesmente atrelado às funções burocráticas do meio escolar. Tenho certeza de que quando falamos em currículo estamos expressando o que realmente perfaz o caminho do indivíduo aluno e do individuo professor, sendo ambos muitas vezes vistos como partes antagônicas do processo educacional. O currículo, portanto é multifacetário: Vimos que nesta relação (entre aluno e professor) o professor se mostra como sendo aquele que constrói o conhecimento a partir do entendimento das coisas atreladas à sua matéria, onde muitas vezes este individuo não consegue trabalhar temas transversais por estar tão habituado com a sua matéria. O individuo aluno por vezes, se mostra estando submetido a esta forma de educação.

A função do professor muitas vezes está submetida ao sistema de notas. Os professores procuram estar em dia e fazer as suas partes para que os alunos não sejam prejudicados. Há a relação do professor com o cumprimento de prazos, onde a eficiência dele está atrelada a isso. É como se o índice de qualidade de um professor fosse medido através disso (sendo que todos nós sabemos não ser essa a medida de competência), não há outra forma de mensurar isso a não ser desta forma, aparentemente. O problema disso se encontra na organização social ao qual estamos inseridos, pois vivemos em uma sociedade que presa por tal valor, onde o tempo que estamos utilizando significa ganhar e ganhar, e quando não utilizamos da mesma lógica do “ganhar” estamos perdendo por fazer coisas interessantes para o conhecimento. E desta forma parece que a organização curricular deve estar de acordo com um plano de metas a serem cumpridos e só. É óbvio que não tem como concordar com isso porque a educação é muito mais que uma mera formalização do sistema educacional. É muito mais que a simples distribuição de tarefas e a sobreposição de ideais. É muito mais que a relação antagônica que o próprio sistema tenta impor sobre os indivíduos no espaço escolar. E assim sendo, o currículo também não é uma mera listagem de conteúdos, e sim pode ser chamado de processo evolutivo que vai estar presente na educação do individuo, submetido à organização do espaço, e às características da turma.

Para que estes problemas comecem a ser resolvidos devemos pensar em primeiro lugar na tentativa de se estabelecer um diálogo. Tentar entender o que o aluno traz como bagagem cultural para dentro da sala-de-aula. Devemos ensiná-los que responsabilidades existem e que o mundo fora do ambiente escolar é grandioso e vasto (eles têm escolhas a serem feitas e, portanto é necessário ter prudência na hora de decidir as coisas tanto no campo social quanto no familiar). Isso faz parte do currículo, faz parte do cotidiano escolar e dos laços estabelecidos entre os alunos e professores.

Desta forma, vimos que o currículo se constrói através dos tempos e de como o professor passa o conteúdo aos seus alunos, pois as suas convicções vão fazer com que a aula seja pensada de tal forma e não de outra. Vimos que o currículo é um lugar, um espaço determinado onde construímos o nosso conhecimento, as nossas convicções e ideias. Vimos também que ele é a trajetória que perfaz toda a vida do aluno como também a do professor, ele perfaz a vida do aluno e do professor (é nele que vemos o programa dos conteúdos a serem ministrados nas aulas). Por último o currículo faz parte da nossa formação, e por fazer parte dela acaba submetendo 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A RELAÇÃO ENTRE SABER E PODER


O saber desde os tempos mais remotos sempre esteve atrelado à ideia de poder. Esta associação tinha por objetivo segregar, diferenciar e viabilizar o comando à(os) um (alguns) individuo(os) que tivessem conhecimento, e poder econômico. O ambiente escolar é composto com pequenas características atreladas a este domínio, e por muitas vezes acaba por reproduzir as questões e problemáticas colocadas no mundo.

 Aristóteles, filósofo grego, dizia que o homem por excelência, era aquele que proveria o seu sustento. Por isso deveria ser educado para desempenhar o seu papel tanto no meio familiar (esfera privada), quanto no meio estatal (esfera pública). Para desenvolver o seu papel de cidadão, não poderia desempenhar atividades que estivessem ligadas diretamente com o sustento da vida, e sim deveria estar preocupado com as deliberações que a polis teria que fazer. Platão vai dizer que o melhor tipo de governo é o reinado dos reis filósofos, pois além de conhecerem o que uma sociedade precisaria, ele não vai governar para os seus próprios interesses. Isso porque Platão pregava ser necessário o desfazimento dos bens individuais quando que assumido um cargo público, tendo em vista certa comunidade de bens. Já Hobbes, por outro lado, diz que a imposição de forças no estado de natureza humano, vai contar para que sobrevivamos, e a condição do poder em última análise, vai estar submetida a eterna disputa de busca da sobrevivência e que para ordenar tudo isso é necessário um contrato que estabeleça princípios e um governante. Neste caso, é na figura do governante que vai estar a imposição da ordem, em última análise o poder.

Assim como os filósofos, vemos necessária na atualidade tal relação e ensinamos aos nossos alunos e alunas. Essa relação entre saber e poder também se estabelece dentro da sala de aula. Vemos isso presente quando um professor impõe ao aluno questões que ele não está habituado, e que a simples assimilação, muitas vezes se torna um problema porque foi imposto pelo professor. Aí entra a figura do aluno rebelde que fica testando a paciência do educador, tentando desvirtuar a aula como uma forma de tentativa de impor o poder sobre aquele “opressor” (sob a ótica do aluno). Notamos também que a relação entre poder e saber ocorre nos pequenos grupos entre alunos que se estabelecem entre eles. Notamos muitas vezes, esparsos, implícitos ou inscritos em suas ações os parâmetros para a escolha daquele individuo, que muitas vezes o é, simplesmente para fazer os trabalhos para o resto do grupo (aí entra a figura do saber) e a proteção do chefe do grupo (aí entra o poder), sendo notada a opressão que o aluno escolhido sofreria por parte dos colegas se continuasse sozinho (claro isso pensando uma classe que não tenha noções básicas de comportamento no espaço escolar muito menos respeito). Desta forma vemos que o poder se relaciona com o conhecimento como uma forma de imposição.

Agora, podemos voltar para a sociedade que vivemos. Conseguimos perceber, por vezes, que o que conta são as relações que são estabelecidas entre pessoas que representam certo poder. Grande exemplo disso é o período eleitoral. Muitas vezes votamos naqueles que aparecem mais por deterem melhor “condições” de governar, nos baseando, muitas vezes, pelo currículo do candidato exposto no período eleitoral. Aparentemente continua a ideia do senador biônico só que o candidato fala no período eleitoral tudo aquilo que só o narrador falava anteriormente, condicionando o seu poder ao meio publicitário ou o meio de comunicação, que o candidato, por sua vez paga fazendo alianças e prometendo ações para a iniciativa privada. Essa relação de poder é cíclica. O que é pior nisso tudo, é que ela se repete, não sendo um movimento sempiterno porque as pessoas envolvidas nele vão morrendo, mas a sua forma estrutural continua sendo a mesma e é esta que ensinamos em sala de aula.

A sala de aula por vezes se torna o ambiente de reprodução da sociedade. Muitos teóricos defendem a ideia de que a escola deve educar para a vida, e realmente é isso que muitas vezes ocorre. Parece que não pelo fato de se ter a mesma estrutura hierárquica do professor sobrepondo-se aos alunos e a regra de transmissão conteúdo. O detalhe, é que mesmo ocorrendo isso, o professor acaba se envolvendo com os alunos, e a preocupação dele acaba virando o entendimento. É na relação de poder que o professor enquanto professor vai estar submetido ao meio escolar, e desta forma se torna precisa certa relação entre estes seres. Se formos pensar mais a fundo, do que é constituída a organização do espaço escolar, como ela se institucionaliza no ambiente escolar, podemos ver que o currículo é multifacetário, e no momento que atribuímos esta característica à ele, podemos pensar sim o porque que a educação  é constituída de tal forma.

É a organização curricular que vai estabelecer o que vai ser discutido ou trabalhado em aula. Notamos desta forma que as ideologias, a relação de poder e a forma de expor o conhecimento, são características que as pessoas no geral não atribuem à ideia de currículo. O entendimento que se tem sobre o assunto é grandioso e vasto, porém a ideia de currículo ainda se vê muito atrelada à uma ordem de dados que devem ser expostos de tal forma, senão a reprodução do entendimento e do conhecimento não se dá. Podemos pensar no currículo onde o poder é tido como parte integrante do processo educacional. Em todos os tempos ou espaços destinados ao ensino podemos notar na educação e concepção de mundo a cultura da classe dominante sobrepondo-se a cultura e à educação dos indivíduos submetidos ao meio escolar. Desta forma o currículo apresenta-se como uma maquina ideológica e ao mesmo tempo um separador de pessoas.

A teoria leva em consideração as ideologias anteriores contidas na teoria critica. Para tanto é preciso entender que não se trata de uma sobreposição de ideias, mas sim de uma organização que consegue utilizar, aprimorar e criar novos propósitos para se discutir o que é o currículo. Podemos ver que perante esta teoria o currículo ainda está em constante movimento, e é neste movimento que estamos inseridos como educadores e é assim que devemos nos enxergar enquanto parte atuante da formação dos nossos alunos. É elementar o fato de que o currículo, segundo Tomaz Tadeu, transmite ideias, é um aparelho ideológico, transmite a ideologia dominante e por consequência é um território político.

Concluo afirmando que como o currículo faz parte da formação do individuo para a sociedade, de certa forma, torna-se indispensável considerá-lo uma organização em constante movimento, pois a sociedade tem esta mesma configuração. Esta organização de conteúdos deve ser pensada para um indivíduo aluno. Mesmo com a relação entre saber-poder, temos que ter consciência sobre o nosso papel em sala de aula, e entender que o nosso ele vai muito além de meros reprodutores de um currículo já organizado para formar os nossos alunos. Só assim o currículo, a meu ver poderá ser, como diria Tomaz Tadeu:

“lugar, espaço, território”

“a relação de poder”

“Autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo que forma a nossa identidade”

“Texto, discurso, documento”

DOCUMENTO DE IDENTIDADE








segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A ORGANIZAÇÃO DA ESCOLA BÁSICA E SEUS DESAFIOS FRENTE À DINÂMICA SOCIAL


INTRODUÇÃO

O estudo do mecanismo envolto na educação básica é necessário para que entendamos como pais alunos e funcionários estão incluídos (ou excluídos) do processo educacional. Podemos pensar que a educação possui tal característica por estar condicionada em um período histórico, ou ter por base outro ideário, ou ainda possuir políticas que não condigam com a real necessidade do povo na área educacional. Notamos que as explicações são muitas e poucas realmente conquistam sua finalidade, e o fazem por conseguirem levar em consideração aspectos importantes como o tamanho do Brasil, a cultura difundida no país, o pensamento do povo que mora em tal localidade e como se dá a relação econômica nas diferentes regiões. E é a partir delas que se poderia discutir o que é realmente educação. Sendo assim notamos que muitos teóricos encontram os problemas no aparato educacional, e as soluções no aparato econômico, refletindo na crescente preocupação com esta área especifica em detrimento a outra.

Parto do pressuposto que a educação não deveria estar disponível ao bel prazer da economia. Como afirmava Cezar Benjamin, é preciso que a educação seja fim e não meio de se adquirir uma boa condição econômica como muitos especialistas no assunto defendem. O que quero destacar neste momento, não é a subordinação (com vias a uma redução ao absurdo) da educação para a economia, mas sim o problema que isso gera para a construção do conhecimento, e em ultima analise a formação do sujeito aluno que como o próprio termo já infere, é aquele ser que se encontra sujeitado ¹, submetido a um modelo educacional. Isso pode se refletir na falta de interesses que os alunos têm em aprender pelo fato de eles estarem na escola em busca de um diploma para conseguirem arranjar um emprego. Bem mais que isso, podemos notar que a escolarização para a população brasileira e para vários períodos históricos servia para a formação da mão de obra. Digo mais, na maioria dos períodos históricos se vê isso. Pode ser notada que a especificação do trabalho vai estar ligada em última analise a educação, e assim sendo podemos supor que então a educação teria uma serventia pro mundo do trabalho (que é o ideário que tentamos fugir). Notamos que em última analise esta especificação educacional sendo regulada pela economia, vai gerar um grande retrocesso em termos educacionais, pois não está


 
sendo pensada uma educação que vise à formação de um ser, e sim de um sujeito que estará responsabilizado por um cargo e desempenhando a sua função tecnicista no mundo do trabalho.

Não afirmo que não deva existir formação para o trabalho, só que agora transformar o espaço escolar no lugar para se conseguir somente esta finalidade é muito complicado. Pode ser visto que no parágrafo segundo da lei de Diretrizes e bases da educação brasileira aparece:

“§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.”

A lei e a prática diferem em demasia. Pouco se fala de ações que visem à prática social, mas sim, as que visam ao mundo do trabalho. Isso também se reflete no conteúdo que é passado, ou nas provas amostrais aplicadas pelo poder publico. Podemos ver que na maioria das provas, as matérias a serem analisadas são matemática e português, onde as áreas sócio-históricas não são avaliadas (no caso do SAEB, prova Brasil e Provinha Brasil). É como se fosse esquecida a formação do individuo. Alem disso, vimos maiores preocupações por parte das escolas com estas duas matérias, que com as outras áreas do conhecimento (isso se reflete na distribuição de períodos. Geralmente matemática e português têm em média de três a quatro períodos por semana, enquanto geografia, história ou até artes possuem em média de um a dois períodos, ou ainda, não são postas na grade curricular do aluno). Isso é um problema, pois aparenta que não é importante a formação social do aluno. É como se este ser não fosse inserido na sociedade, e simplesmente posto nela de tal forma que as responsabilidades incutidas na vida dele, valessem mais que o próprio pensar e agir neste meio.



COMO SE DÁ A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR

Com o contexto atual da educação brasileira, é de suma importância conhecer sua organização.  Podemos começar a analisar o que ocorre com os conselhos escolares, onde deveria ser um lugar de discussão sobre a organização de seu ambiente: um espaço de propostas e real participação da comunidade. O que ocorre muitas vezes é que este espaço existe a caráter esporádico (para aprovação da prestação de contas), ou como órgão escolar de fechada, para cumprimento de lei (outros casos nem há a preocupação de se montar o conselho escolar com medo da sanção quando do não cumprimento da lei), ao invés de ser configurado como espaço de debate efetivo sobre o cotidiano escolar. O problema é que a atual formação deste espaço na escola vem sendo muito prejudicada pelos ideários atuais de gestão escolar. Como vimos, no momento em que se passa a aceitar um modelo de gestão escolar gerencialista, estamos abrindo as portas para que este espaço, em última análise, seja prejudicado, pois uma vez aceito um sistema cuja organização se baseia na figura do diretor, onde o diálogo por vezes não é travado, havendo uma imposição de princípios e valores, deslegitima a ação da comunidade escolar frente às decisões que na escola permeiam.

 Desta forma podemos ver que a organização do espaço escolar deveria estar submetido as deliberações da comunidade escolar, ao invés de a comunidade escolar estar submetida às deliberações da gerência escolar. Outro exemplo clássico de má organização escolar são os PPP’s (projetos políticos pedagógicos), onde por vezes são os mesmos por muito tempo, não respeitando as características e demandas da população, ou até sendo utilizados por anos.

Outro aspecto relevante é a subdivisão da educação básica em educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Cada uma destas etapas possui suas peculiaridades. A educação infantil, corresponde à faixa etária dos zero aos cinco anos de idade. Na LDB o artigo 29 expõe que:

“A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até cinco anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.”

 Desta forma a finalidade da creche é que esta seja o espaço onde estas crianças possam desenvolver sua autonomia, encontrem a sua identidade, conheçam o convívio que se dá entre seres humanos, sendo tudo isso de maneira lúdica, onde a criança produza e obtenha o conhecimento. O ensino fundamental, por sua vez, compreenderia as crianças dos seis aos catorze anos, onde já seriam trabalhadas as produções textuais, o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático, entre outras questões. Muitos especialistas afirmam que com o aumento de mais um ano no ensino fundamental, ao invés de se conseguir um ano a mais na escolarização do aluno, na verdade foi retirado um ano da educação infantil, e isso de certa forma, acarretaria na desvinculação do ensino lúdico precocemente, pois a criança nesta fase ainda precisaria deste artifício para aprender. Já o ensino médio seria o lugar onde o individuo desenvolveria as suas habilidades para se preparar efetivamente para a sociedade, onde a formação profissional e a orientação para este meio seriam tidos como assuntos fundamentais para a complementação individual.

Além desta divisão, podemos notar que existem as modalidades do ensino básico. A EJA (educação de jovens e adultos) tem por finalidade educar de maneira precisa, jovens e adultos que não tiveram acesso à educação no tempo escolar regular. A educação profissional, por sua vez, pode estar vinculada ou não ao ensino médio. É uma forma de capacitar para o mundo do trabalho. Há grande embate sobre a real formação dos indivíduos submetidos a este meio, tendo em vista que esta formação é considerada muito técnica, não primando para o desenvolvimento social e individual, mas sim a uma lógica de mercado.  Já a educação especial é um caso à parte, por perpassar todas as etapas da escolarização do indivíduo. Aquela pessoa que precisa de um acompanhamento especializado vai possuir um atendimento voltado as suas especificidades, cuja finalidade desta modalidade de ensino é integrar este ser que é tido como diferente, na sociedade, que em outras épocas o excluiria.


CONCLUSÃO

 Concluo afirmando que muito mais que boas ações devemos ter consciência daquilo que envolve a educação, pois poderíamos achar que estamos fazendo parte dela sendo que na verdade não são abertas as possibilidades pra isso. Em última análise é preciso que os pais participem da vida escolar de seus filhos. Se eles não possuem tempo, nada impede que eles olhem os cadernos de seus filhos aos finais de semana, e responsabilizam a estes com o seu dever de estudar. Quanto a órgãos máximos como o conselho escolar, devemos nos recordar que este faz parte de uma gestão que tem por cerne a democracia, e já como na constituição brasileira diz que a educação deve ser democrática, então o faremos. Mas antes de tudo, precisamos fazer com que as pessoas se sintam atuantes, e não sujeitadas a um processo educacional (que sejam SUJEITOS ² agentes), e ai sim poderemos mudar tal situação. Para tanto as pessoas precisam se informar e conhecer sobre o que está acontecendo na vida escolar de seus filhos, para poderem questionar e perceber, para depois mudar a situação educacional no Brasil.


¹ Entendendo o sujeito como sendo aquele sujeitado ao controle e dependência de outro, sendo esta uma das caracterizações que Focault utiliza para designar sujeito.
²Faço menção à segunda concepção de sujeito exposta por Focault.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

BREVE REFLEXÃO SOBRE CURRÍCULO


A teorização sobre o currículo vai se revelar como fator importante nas discussões acerca da educação, em que vai estar presente a ideia de organização curricular hegemônica em certas localidades e em outras um pensamento mais neoliberal sobre o currículo. Desta forma podemos ver presente que há uma tensão entre as idéias, e que uma pode tratar mais da organização social como um todo, ou outra ainda numa ideia mais neoliberal. Neste contexto se fazem presente as leituras negociadas, que proporcionam diferentes interpretações sobre currículo.

O intuito presente nestas discussões é a tentativa de sanar os problemas gerados (novos e antigos), em que para os educadores na década de 70 era primordial entender o que é currículo na realidade (como se houvesse um monte de coisas determinadas que devessem ser trabalhadas, porém não havendo comunicação entre as áreas ). Podemos constatar a existência deste problema quando ouvimos de professores antigos e novos não ser necessário planejamento de suas aulas, pois já sabem o que devem ensinar como se ensinar fosse comparado a uma receita de bolo. Desta forma o professor não se atualiza e acaba não organizando uma aula que seja condizente com o tempo-espaço ao qual ele (parte integrante da educação) está inserido na realidade do aluno.

Mesmo assim o currículo vai se apresentar como sendo um campo vasto e heterogêneo, possuindo várias interpretações. Quando se fala em heterogeneidade estamos pensando em várias coisas que podem ser trabalhadas, o problema se encontra quando tentamos supri-lo colocando em seu lugar a homogeneidade. Quando efetuamos esta troca, podemos por último impor aos alunos a ideologia da cultura dominante, e não, fazer um paralelo coma cultura dos alunos. Desta forma a ideia de internacionalização do currículo entra como sendo um espaço onde, educadores do mundo todo trabalham numa nova releitura ou definição de currículo afim de que as discussões sobre raça, gênero, justiça social e sexualidade sejam melhores discutidos e trabalhados nos espaços escolares mediante a uma redefinição curricular. Pode ser notada uma preocupação na organização curricular tendo como objetivo uma educação que condiga com as necessidades educacionais presentes nos vários contextos escolares.

A déia de heterotropia também presente neste texto, tem como cerne a ideia de um lugar viável “porém parece se encontrar fora dos lugares convensionáis.” Pensando também na ideia de emplazamento (deve haver um porquê na escolha de um determinado texto afim de que ele provoque aquilo cujo papel lhe é designado. Desta forma podemos pensar que a educação deve sim trabalhar com textos,  por um lado ,e por outro,deve ser entendido pelos alunos. Ou seja é necessário no processo educacional a analise textual, e mais que isso,o entendimento do aluno sobre o  texto.

Concluo esta breve reflexão afirmando que em todas as concepções aqui mostradas, pensam o currículo de forma diferenciada. Como elas fazem esta reflexão, pode ser notada certa preocupação no que ensinar. Ou seja, a existência destas interpretações vão nos permitir pensar o currículo como sendo algo abrangente de certa forma, porém com particularidades diversas, onde para uns autores o currículo deveria tratar mais de temas tidos como tradicionais, onde a cultura tida como erudita seria considerada a melhor, em detrimento à  cultura do aluno. E quando aplicamos isso na sala de aula, estaremos negando a existência da cultura deles.

BREVE COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO “NOTAS SOBRE O SABER DA EXPERIÊNCIA”


O intuito do autor espanhol é antes de tudo tentar pensar a educação sob o aspecto da experiência relacionada com sentido. Para tanto é preciso entender a experiência produzindo efeitos em um determinado ser, caso contrário poderíamos ter um monte de informações travestidas de experiência. Por isso devemos ver a importância das palavras, pois elas expressam ou nomeiam ações e pensamentos, e desta forma constituem pensamentos.

O primeiro aspecto relevante no texto é a distinção entre experiência e informação. Nas palavras do autor “a experiência nos toca”. E se assim o é, podemos pensá-la como parte da construção de um conhecimento real, onde a mera exposição dos fatos não será condicionante para o entendimento real, mas sim a própria experiência. Agora podemos ser críticos com a educação que estamos desenvolvendo com os nossos alunos, será essa uma educação informativa, ou experimental. Noto muitas vezes que temos medo do termo experimental, como se muitas vezes não soubéssemos o que estamos fazendo no espaço escolar, mas na realidade é outra coisa: proporcionar experiências. Como ainda estamos muito ligados como esta ideologia, continuamos com a ideia de que precisamos passar informações para os nossos alunos e desta forma mostramos a eles que VTD’s (verbos transitivos diretos), no português se resumem a esta nomenclatura, e são usados em frases que não condizem com algo, e posteriormente nunca mais serão usados. O espaço da experiência sob este aspecto seria o espaço da construção textual. Mas se não há a disponibilidade deste aluno desenvolver tal habilidade, não haverá experiência e sim um acúmulo de informações.

Outro aspecto interessante do texto é a crítica a sociedade de informação que viabiliza o periodismo. Quando a sociedade está acostumada a trabalhar muito com a informação, teremos como conseqüência a opinião formada sobre estas informações e a maneira de divulgar estas informações é a partir de periódicos. Com uma informação totalmente disseminada, o individuo acaba se tornando mero espectador, e ao invés de construir, discutir, planejar, organizar e entender a história, acaba por reproduzir uma opinião formada, e desta forma a discussão que vem junto com a experiência não será feita, por já se ter uma opinião formada. Deste modo teremos em última análise a formação de uma sociedade que não vai achar muito importante a formação de um pensamento crítico